Entenda por que cidade gaúcha é considerada a 'capital do golpe do bilhete premiado' no Brasil (e saiba como se proteger)
14/02/2026
(Foto: Reprodução) Golpe do bilhete premiado: polícia identifica 7 grupos de Passo Fundo
Em menos de uma semana, a polícia identificou sete grupos criminosos especializados no golpe do bilhete premiado. Todos os investigados são de Passo Fundo, no Região Norte do Rio Grande do Sul. Para os agentes, a cidade é o ponto de partida de uma rede que percorre o país aplicando a fraude. Saiba abaixo como se proteger.
A promessa de um grande prêmio segue sendo usada nas abordagens. Uma vítima conta ter sido enganada por um homem idoso que dizia ter um bilhete supostamente premiado e pedia ajuda porque não sabia onde ficava a lotérica.
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Entre o fim de janeiro e o início de fevereiro, os sete grupos foram presos em diferentes operações: a polícia cumpriu mandados no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás, Alagoas, Espírito Santo e Paraíba. Os alvos estavam em Passo Fundo, Alvorada e Sarandi, no RS; em Itapema e Balneário Camboriú, em Santa Catarina; em Goiânia (GO); João Pessoa (PB); Vitória (ES); e Maceió (AL).
O delegado Adroaldo Schenkel afirma que muitos dos criminosos especializados no golpe acabam saindo da cidade e explica que o crime, apesar de antigo, se reinventa e causa prejuízos financeiros e emocionais às vítimas.
Golpe do bilhete premiado (imagem ilustrativa)
Reprodução/RBS TV
Relatos das vítimas
Uma das vítimas lembra que dois homens se apresentaram como donos de um bilhete premiado. "Me ajuda que eu dou a metade do prêmio", teria dito um deles. O comparsa, se passando por um desconhecido que passava pelo local, confirmou a história, garantindo que o bilhete era verdadeiro.
"Eu queria ajudar... ele disse que não era de Porto Alegre, que não sabia que banco era", relata a vítima.
Com tantos suspeitos da cidade presos, Passo Fundo passou a ser chamada por investigadores de "capital do golpe do bilhete". O delegado destaca que a prática é histórica na região.
“Passo Fundo tem um longo histórico de ação no golpe do bilhete premiado, já vem de muitas décadas”, afirma.
Como funciona o golpe
O golpe segue um roteiro tradicional:
um criminoso aborda a vítima em local público, dizendo ter um bilhete premiado;
um comparsa aparece e confirma a história — muitas vezes por telefone, fingindo ser funcionário de banco;
os golpistas criam proximidade emocional e convencem a vítima a trocar dinheiro pelo bilhete;
em poucos minutos, fogem; o prejuízo só é percebido depois.
A psicóloga Beatriz Becker afirma que os golpistas exploram emoções e criam uma falsa relação de confiança. “Eles chegam gentis, solícitos. O público, hoje, são os idosos. O bilhete é um objeto físico, o cérebro acredita mais. Há também a solidão e o isolamento social", afirma.
Um golpe que atravessa décadas
O golpe não é novo. Antes das tecnologias atuais, a fraude já era registrada em Passo Fundo. Segundo a pesquisadora Fabiana Beltrami, há registros desde a década de 1930, repetindo-se nas décadas seguintes. “Pessoas de Passo Fundo aplicavam o golpe em moradores da própria cidade”, explica.
Pelo Código Penal, o estelionato prevê pena de um a cinco anos de prisão.
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